terça-feira, 25 de junho de 2013

E mail recebido


Já vivi mais anos aqui nos Estados Unidos do que no Brasil e por causa desta circunstância, mesmo sem intenção, tenho me distanciando da muitas vezes dura realidade de ser médico/médica e de ser paciente no Brasil. Nunca fui paciente do SUS, que tem seus muitos méritos e pode funcionar com muito mais eficiência, beneficiando de maneira mais correta e mais digna milhares de pessoas.

Há alguns dias, a Dilma disse ao povo que iria trazer médicos do exterior para o Brasil. Várias entidades médicas estão, com legítima razão e lógica, protestando contra tal falta de senso de trazer profissionais que não falam português, não têm convivência com a cultura do nosso país, e cuja competência e formação profissional não são testados, para tratar a população mais pobre e vulnerável do nosso país. O que os médicos e os brasileiros precisam é de salarios dignos, de hospitais bem equipados, seguros, confiáveis e com condição de trabalho ( não falaremos agora em escolas, educação, creches, transporte público, etc). Aqui nos Estados Unidos, antes de começar minha residência médica, tive de fazer três dias de prova de medicina, e mesmo falando inglês e já morando aqui há anos, só depois de passar na prova formal de inglês do TOEFL, pude começar meu treinamento no hospital. Todos os anos tenho de demonstrar através de vários mecanismos, que continuo a estudar e a me atualizar em medicina. A cada tantos anos, tenho de fazer uma prova, quase um vestibular, na minha especialidade (pediatria). Aqui, recebo o resultado de um raio X e de um exame de contagem de leucócitos e hemograma em 20 minutos, em certos hospitais do Brasil, como diz a médica deste artigo, o resultado do mesmo exame, demora às vezes 12 horas, ou mais de um dia. Aos poucos, vou compreendendo, através dos jornais internacionais ( ontem e hoje li vários artigos e vi várias fotos das manifestações no New York Times), da Globo Internacional, de jornais que leio na Internet, de e-mails e de artigos que amigos do Brasil me enviam as razões das manifestações e dos protestos que, a meu ver, ainda estão meio sem liderança e sem rumo definido. Mas creio que a subida do preço das passagens de ônibus foi uma erupção espontânea, um estopim, porque o povo está cansado de sua própria apatia. É muito bom que, FINALMENTE, depois de muitos escândalos de muitos mensalões, o povo tome as ruas e proteste contra anos e anos de roubo impune aos cofres públicos do país, à desenfreada corrupção, não só dos governantes em todos os níveis do poder, mas dos ricos que sonegam impostos, que ganham concordâncias ilícitas, que se beneficiam com isenção de impostos, que exploram os pobres e que com suas egoístas e fúteis fortunas, nada fazem para dar algo de volta que beneficie suas comunidades.

Espero também que o povo tome consciência da responsabilidade que tem de escolher seus governantes e de não reeleger os políticos corruptos cujo objetivo maior é usurpar, tirar vantagem de seus cargos, de seu poder e desfrutar mordomias e salários de marajás que outorgam a si mesmos. Espero também, que cada pessoa reflita e exerça seus empregos e suas profissões com honestidade, dignidade, respeito ao próximo, a si mesmos e às suas obrigações de seus cargos e trabalhos. E que sobretudo, protestem pacificamente, sem a destruição onerosa, vergonhosa e inútil do patrimônio público, já tão pouco respeitado, nem do patrimônio privado. Para haver ordem e progresso, o compromisso, de direitos e de deveres, tem de ser de todos nós.

Por favor, leia o depoimento desta corajosa médica brasileira.
 
Abraços,
 
Mônica
 
 

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