sábado, 18 de fevereiro de 2012




Sobre o regaço tinha
o livro bem aberto;
tocavam em meu rosto
seus caracóis negros.
Não víamos as letras
nem um nem outro, creio;
mas guardávamos ambos
fundo silêncio.
Por quanto tempo? Nem então
pude sabê-lo.
Sei só que não se ouvia mais que o alento,
que apressado escapava
dos lábios secos.
Só sei que nos voltámos
os dois ao mesmo tempo,
os olhos encontraram-se
e ressoou um beijo

Dica de Leitura

O Real e seu Duplo"

Ensaio sobre a ilusão de Clément Rosset.

É uma viagem filosófica até a  "não natureza" dos sentidos clássicos que este termo nos faz pensar. Um chamamento invocante às filosofias artificiais de Sófocles, Empédocles, Lucrécio, Hobbes, Maquiavel e por que não, até chegar ao pensamento poético de Shakeaspeare e Apolinaire, Molière, e ao do pintor Vermeer, todos expressando a atmosfera de viver em "seu duplo"...                                                         

...Uma ilusão ao desejo...



Editora José Olympio

Tradução José Thomaz Brum





Zé Augustho Marques

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Foto: Matisse fotografado por Cartier Bresson


O que sobra depois que
que se vai
a força dos cinzéis?
A obra?
Ou as críticas brandas
e os elogios cruéis?
O que sobra?
Quando não mais interessam
o nome dos coronéis
quando proeminente
é a solidão da flor;
que sobra?
O amor?
A beleza?
Depois que pele dobra
e a coluna curva
e estão todas as cartas à mesa?
sobra por acaso algum ocaso
além da noite escura.
sobram os sorrisos com candura
condescendência dos que não viveram
sobra a embriaguez da vida por inteiro.

Afinal,
O que é vinho
senão o tempo
matando a uva?



--
Postado por ana kosby no alma ao avesso em 2/09/2012 11:41:00 AM

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012




Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
João Gomes da Silveira
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C R Ô N I C A


SER OU NÃO SER CONSERVADOR
Já impliquei bastante com pessoas que apenas imaginava serem conservadoras. Eram as eleitas da minha aversão. Bobagem minha, porque os conceitos de ser ou não ser‘conservador’ têm lá sua muito razoável relatividade.
O meu estrabismo, na questão, era de tal modo confuso que, por dá cá aquela palha, entendia eu que todo militar ou religioso, homem ou mulher, era um baita sujeito chato. Em uma única palavra, conservador. Ou, por outra, cafona e fora das minhas cogitações.
Também não era bem assim. Estaria sendo injusto com esses dois segmentos? Com a rolança dos tempos, devagar, fui enxergando o ideário de um ou outro militar, sem contar com infindável lista de religiosos que também me agradaram e ainda agradam, até hoje.
Por exemplo, um pernambucano e comunista de carteirinha, ex-sargento do Exército, Gregório Bezerra, ingressou muito fácil no meu gosto. Peguei-lhe o autógrafo, nos dois volumes dos seus livros autobiográficos, em uma livraria de Fortaleza, quando o mártir da ditadura e herói do povo brasileiro regressou de longo exílio, na então União Soviética.
Que agora me lembre, outro militar das Forças Armadas por quem peguei um xodó de simpatia foi o ex-capitão Carlos Lamarca, que se fez guerrilheiro e foi morto por uma chuva de balas policial-militares, enquanto dormitava bem à sombra de uma árvore, no sertão da Bahia. Observem que ambos eram ex-, e não mais fardados da ativa.
Na seara dos nomes de religiosos, não por se terem tornado notáveis, além de muitos que considero santas almas, ainda em vida, só para citar brasileiros, amei de verdade os ‘modus operandi’ do Frei Caneca, no Recife, do Padre Mororó, em Fortaleza, do Padre Cícero Romão Batista, em Juazeiro do Norte, da Irmã Dulce, na Bahia, e de outro cearense, o cardeal Dom Hélder Câmara, no Brasil inteiro.
Lendo e ouvindo falar dessas figuras citadas, foi quando me dei por mim. E vi que também eu era possuidor da minha fatia de conservadorismo, uma vez que as insignes figuras acima nomeadas foram, por princípio, de castas conservadoras e mesmo reacionárias. Ora, assim, eu, um reacionário? Pois confesso que não vou com nenhum tipo de reacionário.
Apreciar personalidades às quais devotara azedume, em seus mananciais, seria ainda uma forma de tornar-me, ou continuar sendo, um tipinho conservador, retrógrado e reacionário. ‘Vade retro’! Ah, mas se eu implicava tanto com o simples conservadorismo de alguém, o que não dizer do quadradismo de um gajo reacionário?
Em política, sem exagero algum, considero o reacionário uma aberração da Natureza. A Natureza, que muda sem cessar, não os merece. Ou a gente muda, ou vira fóssil da pior qualidade. Dom Hélder, tal como o meu velho tio Teodoro, iniciou-se como fascista. Foi um membro “galinha verde” do Integralismo de Plínio Salgado. Mas mudou, que burro ele não era. Já o meu tio, coitado, morreu reacionário, ao menos conservador, lá isto ele foi, até se finar.
Citei poucas cabeças de gente da minha simpatia, nas duas aludidas áreas – até que eu cavaria mais –, porque senão vou dar com uma infinidade de bons quengos da caserna e do clero. Não estou esquecido de que Tiradentes era um alferes.
Aqui me fica uma lição: é preciso conviver inclusive com os bois da manada contrária. O Universo é múltiplo e a diversidade, indispensável. Diria mais: indisfarçável.
Fort., 14/02/2012.








 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Para refletir e agir - de Leonardo Boff

12/02/2012
Uma das mesas de debates importante no Forum Social Temático em Porto Alegre, da qual me coube participar, foi escutar os testemunhos vivos dos Indignados da Espanha, de Londres, do Egito e dos USA. O que me deixou muito impressionado foi a seriedade dos discursos, longe do viés anárquico dos anos 60 do século passado com suas muitas “parolle”. O tema central era “democracia já”. Revindicava-se uma outra democracia, bem diferente desta a que estamos acostumados, que é mais farsa do que realidade. Querem uma democracia que se constrói a partir da rua e das praças, o lugar do poder originário. Uma democracia que vem de baixo, articulada organicamente com o povo, transparente em seus procedimentos e não mais corroída pela corrupção. Esta democracia, de saida, se caracteriza por vincular justiça social com justiça ecológica.
Curiosamente, os indignados, os “occupiers” e os da Primavera Árabe não se remeteram ao clássico discurso das esquerdas, nem sequer aos sonhos das várias edições do Forum Social Mundial. Encontramo-nos num outro tempo e surgiu uma nova sensibilidade. Postula-se outro modo de ser cidadão, incluindo poderosamente as mulheres antes feitas invisíveis, cidadãos com direitos, com participação, com relações horizontais e transversais facilitadas pelas redes sociais, pelo celular, pelo twitter e pelos facebooks. Temos a ver com uma verdadeira revolução. Antes as relações se organizavam de forma vertical, de cima para baixo. Agora é de forma horizontal, para os lados, na imediatez da comunicação à velocidade da luz. Este modo representa o tempo novo que estamos vivendo, da informação, da descoberta do valor da subjetividade, não aquela da modernidade, encapsulada em si mesma, mas da subjetividade relacional, da emergência de uma consciência de espécie que se descobre dentro da mesma e única Casa Comum, Casa, em chamas ou ruindo pela excessiva pilhagem praticada pelo nosso sistema de produção e consumo.
Essa sensibilidade não tolera mais os métodos do sistema de superar a crise econômica e derivadas, sanando os bancos com o dinheiro dos cidadãos, impondo severa austeridade fiscal, a desmontagem da seguridade social, o achatamento dos salários, o corte dos investimentos no pressuposto ilusório de que desta forma se reconquista a confiança dos mercados e se reanima a economia. Tal concepção é feita dogma e ai se ouve o estúpido bordão:“TINA: there is no alternative”, não há alternativa. Os sacrílegos sumos sacerdotes da trindade nada santa do FMI, da União Européia e do Banco Central Europeu deram um golpe financeiro na Grécia e na Itália e puseram lá seus acólitos como gestores da crise, sem passar pelo rito democrático. Tudo é visto e decidido pela ótica exclusiva do econômico, rebaixando o social e o sofrimento coletivo desnecessário, o desespero das famílias e a indignação dos jovens por não conseguirem trabalho. Tudo pode desembocar numa crise com consequências dramáticas.
Paul Krugmann, prêmio Nobel de economia, passou uns dias na Islândia para estudar a forma como esse pequeno pais ártico saiu de sua crise avassaladora. Seguiram o caminho correto que outros deveriam também ter seguido: deixaram os bancos quebrar, puseram na cadeia os banqueiros e especuladores que praticaram falcatruas, reescreveram a constituição, garantiram a seguridade social para evitar uma derrocada generalizada e conseguiram criar empregos. Consequência: o pais saiu do atoleiro e é um dos que mais cresce nos paises nórticos. O caminho islandês foi silenciado pela midia mundial de temor de que servisse de exemplo para os demais países. E a assim a carruagem, com medidas equivocadas mas coerentes com o sistema, corre célere rumo a um precipício.
Contra esse curso previsível se opõem os indignados. Querem um outro mundo mais amigo da vida e respeitoso da natureza. Talvez a Islândia servirá de inspiração. Para onde irão? Quem sabe? Seguramente não na direção dos modelos do passado, já exauridos. Irão na direção daquilo que falava Paulo Freire “do inédito viável” que nascerá desse novo imaginário. Ele se expressa, sem violência, dentro de um espírito democrático-participativo, com muito diálogo e trocas enriquecedoras. De todas as formas o mundo nunca será como antes, muito menos como os capitalistas gostariam que ficasse.


Dica de Leitura

(desenho-Zé Augustho -aquarela)

Livro: "A Morte de Ivàn Ilitch" de Lev Tolstói
(1828-1910)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Prezado poeta Zé Augustho Marques!

Recebi, ontem, 13, o seu excelente jornal.

Fiquei fora, boa parte do dia, por isso ainda não lhe dera ciência.

Uma beleza de impressão e de contéudo.

Muito, mas muito - mesmo - grato pelo mino de você ter posto o nosso modesto "Dicionário de Expressões Populares da Língua Portuguesa" nas páginas do seu ilustradíssimo FALA BRASIL.

Este, sim, é jornal
também 'on-line' que recomendo a todos.

Um abraço, camarada editor e crítico das (boas) artes.

Você é um Mecenas, além de
divulgador das artes e da cultura brasileiras, em particular das que fervem aí nos Pampas.

Um grande abraço,

João Gomes da Silveira

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

I look to you Withney

As I lay me down
Heaven hear me now
I'm lost without a cause
After giving it my all

Winter storms have come
And darkened my sun
After all that I've been through
Who on earth can I turn to?
 
I look to you
I look to you
After all my strength is gone
In you I can be strong
 
I look to you
I look to you (yeah)
And when melodies are gone
In you I hear a song I look to you
 
About to lose my breath
There's no more fighting left
Sinking to rise no more
Searching for that open door
 
And every road that I've taken
Led to my regret
And I don't know if I'm gonna make it
Nothing to do but lift my head
 
I look to you
I look to you (yeah)
And when all my strength is gone
In you I can be strong
 
I look to you
I look to you (oh yeah)
And when melodies are gone
In you I hear a song
I look to you

(Coro)
My love is all broken (oh Lord)
My walls have come (coming down on me)
crumbling down on me (All the rain is falling)
The rain is falling (hoo!)
Defeat is calling (set me free)
I need you to set me free

Take me far away from the battle
I need you to shine on me
 

Eu Olho Para Você

Ao me deitar
O céu me ouve agora
Estou perdida sem uma causa
Depois de me dar por inteira

As tempestades de Inverno vieram
E escureceram meu sol
Depois de tudo que passei
A quem posso me voltar?
 
Eu olho para você
Eu olho para você
Depois que toda a minha força se foi
Em você posso ser forte
 
Eu olho para você
Eu olho para você
E quando as melodias se foram
Em você ouço uma canção, eu olho você
 
Depois que perco a minha respiração
Não há mais porque lutar
Não há mais pensamentos de se reerguer
Procurando por aquela porta aberta
 
E cada caminho que tomei
Levou-me ao desgosto
E não sei se irei fazer
Nada a fazer senão levantar a minha cabeça
 
Eu olho para você
Eu olho para você
Depois que toda a minha força se foi
Em você posso ser forte
 
Eu olho para você
Eu olho para você
E quando as melodias se foram
Em você ouço uma canção
Eu olho para você
 
(Coro)
O meu amor foi todo destruído (oh Senhor)
As minhas paredes caíram sobre mim
Caindo sobre mim (a chuva está caindo)
 
A chuva está caindo
A derrota está chamando (me liberte)
Preciso de você para me libertar
Leve-me para longe da batalha
Preciso de você para brilhar sobre mim
 



(desenho Zé Augustho)

Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!...
Zé,
obrigado pelo recado e obrigado pelo comentario no Fala Brasil,

ars
(Affonso Romano de Sant'Anna)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

                      Para ler e ouvir seus outros Eus

"Aprender a viver" do filósofo francês Luc Ferry, que esteve aqui em Porto Alegre no "Fronteiras do Pensamento", ano rerretrasado, tem o objetivo de fazê-lo um novo leitor do sentido crítico e prático de filosofar consigo mesmo nesse mundo. Aqui e já. O livro nos dá uma idéia de praticidade de como  cidadãos desse planeta, devemos agir, pensando e vivendo melhor com automia reflexiva, livre das angústias e também livre das notas promissórias que o ser humano valida com a religião, ou pela fé; por conta própria; às vezes mais difícil mas mais autêntica na superação das dívidas consigo próprio e outros...

Zé Augustho Marques
ZÉ OI,
 
RECEBI O JORNAL,
 
VALEU.......E BOM CARNAVALLLLLLLLLL
 
Fernando Baril
pela edição 147
e pelo belo envelope poético
um baita abração,
 
 Urbim
 
 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Jornal Fala Brasil

Dia 08/02/2012

O jornal Fala Brasil foi agraciado como o melhor Jornal Cultural de 2011 da Grande Porto Alegre. O prêmio referido deu-se pelo empenho maior dos Guerrilheiros da Cultura (Academia de  Letras e Artes de Porto Alegre) sob a direção de Benedito M. Saldanha. Na ocasião aconteceu o já reconhecido "Sarau com Ritmo" em homenagem a Caetano Veloso com expressiva presença da casse cultural na sala C2 da Casa de Cultura Mário Quintana, 2ºandar.

Zé Augustho Marques
(foto Zé Augustho)



Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza.

Texto


 
Como fazer para "parar de vomitar o mundo"?
Esta falta de Humanidade, dói a alma...
Isentar-se de tudo?
Emudecer diante de tudo?
Ser doce ou fel?
Simpatia ou arrogância?
Fiel ou interesseiro?

Amigos ou dinheiro?

(...)
Há escolhas... Atitudes!
Não posso perder as esperanças...
Preciso respirar... me inspirar!
Preciso controlar este suco gástrico,
que devora-me a cada momento.
Quero estar em paz, até diante do opositor.
Mesmo que este tente me devorar.

(...)
Vencer não é só um momento.
Vencer é estar consciente
de todos os momentos.
Por que tudo é uma trajetória.
E a pretensão final não é nossa.

Mas de tudo aquilo que nos faz

estar aqui fazendo parte deste todo...

(...)

Vou parar de “vomitar o mundo”!

Porque sei quem sou...

(...)

Uma partícula de luz, ilumina o caminho...

E várias, juntas!?... Somam muitas...

Ainda há vida na terra...

(...)

Parei de “vomitar o mundo”!
Porque sou capaz de ver, várias partículas de luzes...

Ju Vieira

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012


Foto Henri Cartier Bresson

Tão fácil ser confiante dentro do útero da mãe terra. Feto confiante na certeza da nutrição. Não há esforço além da certeza do amor alheio. Não há necessidade de preocupação, apenas prazer e diversão. Brincar de vida, correr pelos dias sem a preocupação do agasalho, alimentar-se na medida da fome, beber na medida da sede, nada falta. Homeostase da gênese, irresponsabilidade orgânica, apenas nutrir-se do mundo, ser planta selvagem em floresta luxuriante tropical, prazer da chuva, apenas criar raízes que o tempo trás em bandeja de ouro o sustento.
Tão bom não preocupar-se e ter apenas o corpo como obrigação e o universo como alento.
Tão fácil o despertar pois o adormecer é apenas um suspiro, amanhã? Deus dará!


Postado por ana kosby no alma ao avesso em 2/07/2012 05:20:00 PM

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Página Zé Augustho - Jornal Fala Brasil

Que árvore você quer para o futuro?




Colcha no aeroporto
(fotos Andrea Weschenfelder)


GUERRILHEIROS Informativo On-line
DA CULTURA Nº 26 – Porto Alegre, fevereiro de 2012
ESPECIAL: OS MELHORES DE 2011 NA CULTURA (E A CRÍTICA NEGATIVA)
Ainda que um pouco atrasado estamos apresentando os nossos indicados como melhores da cultura no ano de 2011
« MELHOR LIVRO DE CONTOS
Ciranda Negra, de Eny Allgayer Canto
« MELHOR LIVRO DE POESIAS
Os códigos da alegria, de Paulo Roberto do Carmo.
« MELHOR LIVRO INFANTIL
Por que o Elvis não latiu?, de Robertson Frizero..
« MELHOR LIVRO COLETÂNEA
Nesta categoria tivemos um empate: Joaquim Moncks e Amigos (org. de Neida Rocha) e Autores Gaúchos 2011 (Org. de Antônio Soares), que congregaram novos autores e outros mais experientes, mas todos com a mesma premissa de enriquecer a literatura e divulgar seus textos a todas as camadas da sociedade.
« MELHOR EDITORA
Alternativa, sob a condução de Milton Pantaleão.
« MELHOR PROJETO LITERÁRIO
Banco da Cultura, criado e gerenciado pelo escritor Felipe Daiello e que funciona no Grêmio Náutico Gaúcho.
« MELHOR ATIVISTA CULTURAL
Fernando Ramos, diretor do Jornal Vaia.
« MELHOR INSTITUIÇÃO LITERÁRIA
Estância da Poesia Crioula.
« MELHOR JORNAL CULTURAL
Fala Brasil, que funciona há mais de 15 anos, levando a cultura a todas as camadas da sociedade porto-alegrense, com a direção de Rosane Scherer.
« MELHOR PEÇA TEATRAL
Mosketeiras, direção de Luis Carlos Pretto.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012


foto Ana Kosby


Um campo de papoulas em teus olhos.
 
Nos meus?
 
O ópium deles destilado.

Postado por ana kosby no alma ao avesso em 2/04/2012 01:03:00 PM

Arte de Caderno




Espelho e menina se interpretam...
...toda beleza tem gosto de cores!
O começo está próximo da mão que
 vai atear fogo na floresta encantada.
Poesia é vida e música
(...)
(...)
(...)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

                  As Dores das horas



Estou farto desse império das horas!

Tenho idade que dizem ser idade

num perfil que desagrada a medicina dos homens...  

 E desagrega os homens da medicina.  

Meu recorte humano tem dores

nos moldes dos figurinistas

não cabem dentro dos recortes, minhas rugas...

Carrego medalhas e biscoitos

num bolso furado pelas traças...

E, meus dias bons

adiam meus dias ruins

roçando com a seda do medo

esse império de horas!

Não quero não ser esse vulto           

que me envolta de ritmos

e remédios contínuos...

Estou farto dessa saudade imperial

Da distância de mim

Quando da infância

Nada sabia

de ruim!

Agora, sou eu próprio

Que sei aquilo que aprendi

O que ainda não perdi...



Zé Augustho Marques

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Numa poça de água

                                   



Os carros passaram e ela atravessou, chegando até a praça. Continuou andando . Calma. Um beijo de namorados entre as plantas secas por trás  do banco. Estava tudo seco. Até a noite não respirava bem. Fazia mês e pouco que não chovia. Com a cabeça despenteada sentiu de repente que era feliz assim. Tão claro esse sentimento, que de passos velozes, quase parou, como se a felicidade fosse caminhar a sua frente...   Sorriu para a pequena poça de água tremida da fonte. Quase seca! Pensou que felicidade tinha a ver com a velocidade das coisas.  Com o tempo das coisas também! Lembrou-se de um poema de Fernando Pessoa!  Sorriu, enquanto corria os olhos sob o retângulo das pedras que estufavam a secura dos mosaicos empoeirados da praça. Uma seta indicava o caminho do banheiro público. Mas não iria num banheiro público...  Viu milhares de cartazes espalhados pela praça: -seja feliz!   -venha participar da Academia da Felicidade do cidadão das cidades verdes! Cidade verde é a solução!  - Muito me alegra, senhorita, ter podido...   -Sim, não tem importância que ria de nós.  - Desde que a vi atravessando a rua, compreendi que a senhora não era uma pessoa qualquer, como as outras. Aceite um cartaz da nossa Academia...  Sentiu-se rodeada de olhares fixos e de cartazes móveis...  Era evidente que algo estranho tirava-lhe a firmeza do raciocínio. Pensava em não se assustar. Pegar o cartaz e seguir. Mas em que direção? A da multidão de cartazes verdes mas sem ninguém a empunhá-los ou seguir  aquele homem, lado a lado, de olhos fixos na outra ponta do mundo!  -Se quiseres vir comigo senhorita, ainda há tempo de matar a imprudência no planeta, alistando almas que...   -A senhorita está aí, faz um tempinho já, olhando para esta poça de água tremida da fonte...  Está vendo a felicidade?

Zé Augustho Marques

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Arte de Agenda-Zé Augustho Marques


Destruição



Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.

Pouco importa!


Foto Henri Cartier Bresson

Pouco importa!
Quem bate à porta
ou quem entorta a reta
pouco importa
as luzes
as cruzes
e o credos
a face morta
na roupa e na hora certa
o sorriso vil
no aconchego hostil
do ver e ser visto
pouco importa
se escrevo ou desisto
pouco importa
se há aplauso automático
do expectador estático
parado,
no êxtase comprado
apenas importa
o mundo para dentro de minha porta
meu grande achado:
o amor que dorme ao meu lado.

 Ana Kosby


-

Foto: Ansel Adams

vasculhei frestas
cuspi arestas
respirei gases
rasguei ases
bebi azias
me equilibrei
entre o que quero
e o que querias
resisti bravamente!
apenas para descobrir
que sou soberana
neste reino

chamado mente.

Ana  Kosby

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A nova cultura dos Institutos no Brasil

Se a moda dos INSTITUTOS pega,

logo teremos os

Institutos Sarney, Collor e Calheiros...

À partir do Instituto FHC

e o de Lula por 99 anos...

Morre aos 88 anos Nobel de Literatura Wislawa Szymborska
01 de fevereiro de 2012 20h28 atualizado às 22h51 - TERRA


Wislawa Szymborska era a poeta mais famosa da Polônia. Foto: EFE
Wislawa Szymborska era a poeta mais famosa da Polônia
Foto: EFE

A poetisa polonesa Wislawa Szymborska, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1996, morreu nesta quarta-feira (1) aos 88 anos na Cracóvia vítima de um câncer de pulmão, deixando uma herança poética cheia de humor e ironia, na qual partia dos objetos mais simples para refletir sobre as verdades universais.
"Morreu em casa, tranquila, enquanto dormia", disse à imprensa seu secretário pessoal, Michal Rusinek, lembrando que a escritora foi sempre uma fumante incorrigível apesar das constantes advertências dos médicos.
A poetisa e ensaísta morreu rodeada por alguns de seus familiares e amigos mais próximos, entre elas a jornalista Katarzyna Kolenda, que posteriormente lembrou em entrevista ao canal TVN24 a personalidade de Wislawa. "Sempre que lhe perguntavam por que escrevia poesia ela respondia com um simples 'isso eu não sei'. Tratava seu trabalho como algo muito pessoal e com muita modéstia", comentou Katarzyna.
Embora Wislawa, nascida em Kornik, no oeste da Polônia, em julho de 1923, fosse a poetisa mais conhecida da Polônia, teve que esperar até a concessão do Nobel em 1996 para que sua obra chegasse ao resto do mundo.
Na ocasião, o comitê do prêmio reconheceu a rica poesia de uma autora a quem qualificou de "Mozart da literatura", destacando o humor e a simplicidade com a qual abordava as questões mais profundas, como a morte e o amor. O Nobel representou uma revolução em sua vida e na privacidade que sempre tentou manter, como a própria Wislawa reconheceria, já que causou "uma grande confusão, mas também grande alegria, honra, novas amizades e mudanças".
A autora destacou-se por uma poesia cheia de humor e pela habilidade em usar trocadilhos, presente desde seu primeiro poema publicado em um jornal local em 1945.
A jovem Wislawa foi surpreendida pela invasão nazista em 1939 e obrigada a realizar trabalhos forçados nas linhas férreas, o que não impediu que continuasse seus estudos em centros ilegais durante o período da guerra.
Posteriormente cursaria Literatura e Sociologia na Universidade da Cracóvia, onde viveu até sua morte.

Movimento Fala Brasil
A Cultura 100% Coletiva
jfalabrasil@hotmail.com
51. 3228.4382 / 9144.3426
www.falabrasilcultura.wordpress.com
www.zepoesia.blogspot.com
Facebook (1 e 2) Fala Brasil Cultura
Twitter: @jfalabrasil
www.youtube.com/movimentofalabrasil

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012




Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Prezado poeta Zé Augustho,

Tomei a liberdade de me agregar como seu seguidor, junto ao seu formidável blog
ZÉ POESIA.

E ainda faço divulgação dele, rsss.

UMA PENA, MAS A KATHLEEN, POETISA QUE ME REPASSOU AQUELES 20 QUADROS,
NÃO CONSEGUIU LÊ A RUBRICA DO AUTOR, E NEM EU, rsss.

Segundo ela, cada tela está assinada, mas quem consegue decifrar a rubirica, rsss?

Ah, vc fez parte de um seminário importante, só figurões, entre os quais vc também
era astro.


Parabéns pela participação no evento.

Aproveito a carona deste e-mail, envio-lhe o nosso sonetinho marruá do dia, rsss.

Mas, questão de espaço, não precisa preocupar-se com a publicação dele; é só para
o seu governo, pois sei que a temática do social lhe diz respeito.

Um abraço, poeta maior,

Gomes da Silveira, João
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DOAÇÕES À CRIANÇA

Dão-lhe agrados, migalhas natalinas,
bugigangas ou dixes muito usados;
dão-lhe as sobras e mimos refugados
por meninos burgueses e meninas.

São teteias das marcas mais cretinas,
em geral só de estoques importados,
ou berloques de preços nos mercados
os mais vis e vendidos nas esquinas.

Mas criança tão simples, já tão pobre,
que não tem nem sofás e nem a mesa,
vê nos “prêmios” doados muito luxo.

Como dos pais na mão jamais o cobre
fez-se a luz, nem sequer da vela acesa,
então lhe façam festa e morra o bucho.

Fort., 1º/02/2012.

A Pipa

Música Broder Bastos
Letra Zé Augustho

Dor do tempo

Música Broder Bastos
Letra Zé Augustho

Poeta recomendada


(desenho Zé Augustho)


  "...Estamos todos despreparados
para a honra de viver..."

Leia a poeta Wislawa Szymborska
Mini - conto - encontrado...

Ele chegou num lugarejo, onde o inimigo fora atingido e, lá viu seus soldados ajoelhados diante dos raios de sol, entre os cadáveres de seus cães e de suas duas mulheres, ele não encontrou o de sua filha, apenas o seu arco dourado de flechas luminosas. Ainda era cedo. E aumentaram os gritos....

Zé Augustho Marques