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sexta-feira, 15 de março de 2013

MINI-CONTO


             NOVA AMÉLIA

 

HAVIA TERNURA EM SEU OLHAR DE PEDRA SABÃO. HAVIA LOUCURA EM SEUS SEIOS DE LEITE...  HAVIA PRATA EM SEUS DENTES DE OURO. HAVIA DE SER O QUE NÃO HAVERIA DEPOIS.

Zé Augustho Marques

quinta-feira, 14 de março de 2013

MINI-CONTO


PÊNDULO

 

A TERRA GIRAVA E GIRAVA...

MAS O NICHO ONDE O FIO ESTAVA ANCORADO

ERA O ÚNICO PONTO FIXO

 DAQUELE UNIVERSO.

E MEU OLHAR PARECIA SER O  ENGATE

IDEAL DAQUELE EIXO LUMINOSO.

FIXEI-ME NA CABEÇA DE UM SABIÁ

QUE BICAVA E CUBICAVA GRÃOS

 POR DE TRÁS DO PÊNDULO.

OLHOU-ME

E PARECIA-SE APREENDIDO PELA

DESORDEM  DO ERRO E DA VERDADE

DAQUELA EMANAÇÃO...

E A TERRA GIRAVA FIXA

SOBRE MINHAS PERGUNTAS DUVIDOSAS.

VI ENTÃO UM CORTEJO DE FORMIGAS

EM TOTAL LIBERDADE.

O SABIÁ VOOU.

E A MINHA VONTADE OCULTA DEVOROU

MEUS MISTÉRIOS...

 

 Zé Augustho Marques

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

            De mãos no bolso

... Com suas suiças à la inglesas e vulto esquálido, desajeitadaço, lá estava ele com seu olhar malicioso, todo especial que as senhoras da festa prestavam muita atenção e, também em suas calças de bolsos largos que escondiam sempre uma das mãos, em movimentos também maliciosos, entreescondidos, sobre as partes... Até subir.



Zé Augustho Marques

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Numa poça de água

                                   



Os carros passaram e ela atravessou, chegando até a praça. Continuou andando . Calma. Um beijo de namorados entre as plantas secas por trás  do banco. Estava tudo seco. Até a noite não respirava bem. Fazia mês e pouco que não chovia. Com a cabeça despenteada sentiu de repente que era feliz assim. Tão claro esse sentimento, que de passos velozes, quase parou, como se a felicidade fosse caminhar a sua frente...   Sorriu para a pequena poça de água tremida da fonte. Quase seca! Pensou que felicidade tinha a ver com a velocidade das coisas.  Com o tempo das coisas também! Lembrou-se de um poema de Fernando Pessoa!  Sorriu, enquanto corria os olhos sob o retângulo das pedras que estufavam a secura dos mosaicos empoeirados da praça. Uma seta indicava o caminho do banheiro público. Mas não iria num banheiro público...  Viu milhares de cartazes espalhados pela praça: -seja feliz!   -venha participar da Academia da Felicidade do cidadão das cidades verdes! Cidade verde é a solução!  - Muito me alegra, senhorita, ter podido...   -Sim, não tem importância que ria de nós.  - Desde que a vi atravessando a rua, compreendi que a senhora não era uma pessoa qualquer, como as outras. Aceite um cartaz da nossa Academia...  Sentiu-se rodeada de olhares fixos e de cartazes móveis...  Era evidente que algo estranho tirava-lhe a firmeza do raciocínio. Pensava em não se assustar. Pegar o cartaz e seguir. Mas em que direção? A da multidão de cartazes verdes mas sem ninguém a empunhá-los ou seguir  aquele homem, lado a lado, de olhos fixos na outra ponta do mundo!  -Se quiseres vir comigo senhorita, ainda há tempo de matar a imprudência no planeta, alistando almas que...   -A senhorita está aí, faz um tempinho já, olhando para esta poça de água tremida da fonte...  Está vendo a felicidade?

Zé Augustho Marques