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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Poema


Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.
O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Poesia


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Poesia


Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.

Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.

Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas.

sábado, 8 de junho de 2013

Poesia


Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Poesia


Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem e matam
a cada instante de amor.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

ANO DO CENTENÁRIO DE VINÍCIUS


Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

domingo, 16 de dezembro de 2012

PARA...


O QUE ABRE, TALVEZ EM TEU VAZIO,

NÃO É NEM O BEM E NEM O FRIO,

MAS SIM A PEQUENA VIDA

QUE FALTA,

A DOR QUE DÓI,

PELO AVESSO DA TUA IRA,

NUM LUGAR QUE TU NÃO SABES,

PERDIDO PELA FALTA DE TERNURA,

QUE A ALMA DO TEU DIA,

REZA EM PELO-PELE E VENTRE

TODA TUA ENDIABRADA DOÇURA!

 
Zé Augustho Marques

sábado, 1 de dezembro de 2012

MEU AMOR



REFAÇO P/TI

O CAMINHO QUE LEVA

AO COMEÇO DO MUNDO

SÓZINHA,

COMO O AMOR RENASCE!

 

APRENDO CONTIGO (ÀS VEZES)

O GROSSO FIO DA CORAGEM

APRENDO TAMBÉM MAS NÃO GOSTO

DA RAIVA DAS MONTANHAS (EM TI)

 

PARA SER O QUE QUERO SER

PRECISO DE TUA PARTE DE MUNDO

COM MINHA MALA DE PALAVRAS...

ANDANDO SEMPRE PENSANDO EM TI!

 

A POESIA EM MIM É

COMO O ÚLTIMO DIA DO SÉCULO!

 

 
Zé Augustho Marques

sábado, 24 de novembro de 2012

PARA A MULHER DA FLOR ESPECIAL (MEU AMOR)



 

TÚ QUIERES SER FLOR

CUALQUIER FLOR DE CUALQUIER COLOR?

 

EL AMOR ESTÁ

EN EL ABRIR DE LA FLOR

 

EL AMOR QUE

TENGO POR TI!

 

BUSCO EN LA VIDA ALGO MAS POÉTICO

PORQUE

BUSCO EL INFINITO AMOR!

Zé Augustho Marques

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ENCRUZILHADA



CHEGANDO ENTRE RUAS

TIVE A SÓ MEU ESCOLHER

PARA A ESQUERDA

TUAS ROUPAS

À DIREITA SOMBRAS NUAS

 CORAÇÃO SOUBE RESOLVER

 

Zé Augustho Marques

sexta-feira, 7 de setembro de 2012


AQUELA  MORTE     (para o amigo Álvaro)

ALARGARAM-SE

RUAS INTEIRAS

NAQUELA VIA

DE DESPEDIDA.

AQUELA MORTE

NOS PERMITIA

PAVIMENTAR

OS DESVIOS

DAS LEMBRANÇAS...

DOLORASAMENTE NECESSÁRIO

PARA O DISFARCE  INTACTO

DE UMA NOVA SOLIDÃO

NÃO HÁ MAIS UMA GOTA DE SANGUE

E AQUILO QUE ERA VIDA NA CARNE

NÃO É MAIS!

APENAS UM MISTÉRIO

COM PÉS E MÃOS GELADOS

E O FEIXE DE LUZ

QUE TODOS QUEREMOS VER SUBIR!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

POR ELA

 
 A POESIA...

A POESIA É AQUILO QUE AINDA

PODE SER, E QUE NÃO É!

ABERTA PARA O FUTURO PELO

POETA, SERÁ POR INSTANTES

ESCONDIDA PELA DOR DAS

RUAS, PELA MENTIRA DOS MENINOS

PELO MEDO INICIANTE DAS

MENINAS. TOCADOS SEMPRE PELA

INTERROGAÇÃO DOS PAIS!

A POESIA É COMO A INFÂNCIA

DAS PERGUNTAS QUE QUEREMOS

SABER!..."O QUE SE ESCONDE"

ATRÁS DAS ESTRELAS'. O ÚNICO

CAMINHO POSSÍVEL DA RESPOSTA,

É POR ELA!

POR ELA!                 
 
Zé Augustho Marques

sábado, 18 de agosto de 2012

poesia


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

quinta-feira, 2 de agosto de 2012


Ainda sabemos cantar,
só a nossa voz é que mudou:
somos agora mais lentos,
mais amargos,
e um novo gesto é igual ao que passou.

Um verso já não é a maravilha,
um corpo já não é a plenitude.

sábado, 21 de julho de 2012


Enquanto houver uns olhos que reflectem
outros olhos que os fitam,
enquanto a boca responda a suspirar
aos lábios que suspiram,
enquanto sentir-se possam ao beijar-se
duas almas confundidas,
enquanto exista uma mulher formosa,
haverá poesia!

domingo, 15 de julho de 2012




Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se,
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva

domingo, 24 de junho de 2012

ALVOROÇO NO ESPELHO

O gato saltou da cadeira

furioso, olhos encurvados de briga

A cachorra, veio correndo do lado de fora.

Veio lambuzar, a face do menino, com beijos...

Apartar uma briga que não fora...

O menino e o gato não se curvaram,

nem diante do espelho!

Eram retratos iguais...

Brincavam de rato e gato.

E o vidro da porta refletia

o que haviam de fazer...

outro dia... outro alvoroço...

Zé Augustho Marques

sexta-feira, 8 de junho de 2012

POESIA


... a poesia tem essa mania, por caixa de ressonância, mantem-se no mundo, enquanto o fluxo contínuo do tempo tende por apagar tudo...  É a fotografia da vida das palavras, chave que abre portas para nossas coleções -  guardadas no fundo de algum canto de nós...

Zé Augustho Marques