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domingo, 24 de abril de 2011

O HUMOR E O RISO

Hoje em dia vemos nos programas humorísticos da TV Brasileira grandes diferenças entre o Humor e o Riso. Se o grande dramaturgo e escritor italiano Luigi Pirandello (1867-1936) célebre criador de intertextos entre personagens e autor estivesse vivo certamente estaria referendando seu polêmico ensaio "O Humorismo" (1908) mediante ao samba do Crioulo Doido que virou nossa rotina mui mal engraçada televisiva. Atualmente no Brasil, as questões comerciais muito propagam o recrudescimento cultural, sempre ávido pela estética que faz de conta que é Näiff, mas que sucumbe ao cínico ostracismo das letras e do pensamento mal alinhado às questões do conhecimento e do intelecto, acontecendo assim a toda hora a baboseira não filtrada pela autorreflexão de todos. O grande povão e a grande mídia se beijam na boca pelo puto despropósito passional desmedido ao grotesco, à sátira, à farsa e à caricatura. Pois é aí que reside a visão de espelho de Pirandello em seu ensaio que gerou acaloradas discussões no princípio do século passado. Para Pirandello o humorista seria o artífice da tragédia da vida e o humor não deveria ser confundido com as formas semelhantes ao "vulgo" que não pode de maneira alguma entender os contrastes sutis e as finezas do verdadeiro humorismo. Em nosso universo brasileirístico o humorista nacionalizado é verdadeiramente o artifício da tragédia da vida brasileira. Todavia levando sempre ao deboche porcalhão uma pitada de recarga dupla da nossa falta de autoestima e da capacidade ingênua e espetacular de rirmos de nós mesmos. E mais ainda da nossa insuperável indiferença aos problemas que os nossos satirizados cômicos e caricatos políticos, alvo principal desse riso fácil, que acabam por nos fazer rir... Novamente Pirandello referenda-nos em seu ensaio, sem nos ter conhecido!  O italiano Luigi explica também a superioridade do humor sobre este satírico e cômico, filosofando por longos parágrafos que a comicidade gera o riso em razão do estranhamento da cena imposta pelo texto. Muitas vezes, eu próprio acabo rindo do banal - ridículo e do stand up comedy  doloroso da vida real. Por quê? Ora, porque o mau humor sempre dá um passo para trás! Gerando o mal humor... E, os nossos veículos de comunicação não querem o "Humor" e sim o "Riso", mesmo que seja um riso amarelado pela baixa elaboração estética e por conseguinte muitos pontos no IBOPE acima, muito acima desse riso sem graça e humor  de  texto rasurado, que nos leva a crer segundos mais tarde, já desdentadamente desmobilizados do pensamento. Esse resultado gera interpretações de improbidades pleonasticamente perversas. Ao passo que o caminho ao grande humor de Pirandello nos leva a concisão da fórmula ideal do senso de humor. Sentido inteligível do riso...  E, em hipótese alguma, aceitar  a antítese falacial dessa tragicomédia da vida na privada nacional, onde atualmente atrás do riso, "os palhaços" somos nós.
abri l2011

domingo, 17 de abril de 2011

O que é arte mesmo?


Quando se pensa um pouco nos valores éticos e estéticos do que é arte hoje em dia, esse valores se transformam não tão audoevidentes. Principalmente de uma coisa chamada arte contemporânea. Como, quando e porque devemos incluir ou excluir dela a combinação de substantivos adjetivados que são os museus, marchands, críticos, imprensa desinformada, glamour do novo rico com a senha de "UTI" que é "democracia e liberdade". Todo esse preâmbulo já banalizado, parece estranhamente nos representar como um símbolo da idiotice bizarra que caminha para a nova descoberta do Santo Graal com pichações luminosamente audaciosas em alguma Bienal Internacional ou, na capa da Vogue ou "Le monde"...Apesar disso, essa arte vem impregnada de glamour e elevados propósitos de camelódromos que ostentam coquetéis de corporativismos público e privado. Todos em esplêndia penúria fazendo performances de si próprios, confundindo abstrações com abstracionismos e fugurações com figurativismos. E assim por diante em todas as escolas no plano do ato artístico. Todos querem engendrar um valor para seus atos, apenas por lhe dar um nome ou um novo status de arte. Elitista sempre, presuponho... Digo-lhes boquiaberto, que na arte contemporânea de nosso dias, não há mais espaço para singulares comentários como o de Wassily Kandinsky: "O artista precisa treinar não só os seus olhos mas também sua alma"! Ora os grandes artistas da mídia são os maiores condutores dessa falta de treinamento! Trabalham apenas com o conceito e raramente alguns com o conceitual... O cinismo da satisfação instantânea nas artes plásticas nos dá também uma gratificação e uma bonificação para a facilidade visual e (...) nada mais. Mil objetos podem ser vistos numa tarde em alguma Bienal ou "camelódromo artístico" e, no outro dia voce já esqueceu...Ao passo que a verdadeira arte moderna e contemporânea está restrita aos grande museus e às coleções dos grandes burgueses do mundo, que não chegam aos olhos do povo por razões sempre promíscuas ligadas ao dinheiro e, ponto final. Esse universo de contemporaneidade artística que vivemos é controvertidamente mercadológico e neuróticamente ganancioso por migalhas que o futuro, logo alí chegando, vai denunciar e arrepender-se desse passado que martela o presente com "slogans" que nos saturam: "Faça o Novo" e seja um tiete ou snob de si mesmo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Pais e Filhos

O escritor e poeta russo Ivan Turguêniev (1818-1883) e o nosso também poeta Renato Russo que me nego redatar sua morte por motivos-muitos, mostraram-nos através de suas obras homográficas e homófonas, entituladas "Pais e filhos", o primeiro com um romance sensacional em 1862, e o segundo com música histórica na MPB nos anos 80, algo que sempre esteve diante de nossos olhos, mas que não conseguimos enxergar, não fosse por eles. Os Poetas! O intenso e eterno conflito de gerações. A dos conservadores "Pais" e a dos jovens reformadores do mundo "filhos", que serão os próximos pais conservadores até então de um futuro "Niilista", palavra que foi criada pelo genial Turguêniev nesse seu belo romance e que foi amplamente disseminada pelo mundo, ganhando diversas definições de acordo com determinadas linhas de pensamento e na literatura "Basfond" da época. Pois o certo é que o verdadeiro sentido da palavra "Niilismo" usada por Turguêniev queria dizer que: ..."o homem que não se curva perante nenhuma autoridade". Modernamente histórico esse bordão ideogrâmico que virou "ficha de inscrição", foi atirado ao acaso e desconforto ignorante à revelia da grande história literária do século retrasado. E que nos dias de ontem, ainda não admitimos o significado de valores éticos e humanos entre Pais e Filhos, como sendo um artigo de fé em algum princípio raso ou mesmo rasurado pelo respeito que mereça. Talvez daí tenha vindo a nudez exposta pelas poesias sempre futuristas de Renato Russo em sua música e, Ivan Turguêniev em seu romance , com "Pais e Filhos"... E, essa nudez e mudez de valores que se repudiam entre si, nos dias de "hoje", só podem acabar quando dermos um novo sentido "Niilista" em nossa certidões de nascimento. E lá no pé da certidão estará escrito de próprio punho, por declaração de fé universal: ..."É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã"...